Expediente:

Coordenadora de Comunicação Social: Renata Sampaio

Diretor da Agência Fortaleza: Marcelo Lino

Reportagem: Adriana Albuquerque

Imagens: Evilázio Bezerra, André Lima

Coordenador de Tecnologia da Informação: Henrique Mota (apoio técnico)

Da vitrine para o like

Começar o seu próprio negócio é uma decisão importante e desafiadora para muitos brasileiros. Quando imaginamos esse desafio há 65 anos atrás, aí é que a ideia se torna mais difícil de imaginar. Com a empresa da família comemorando o trabalho de três gerações essa história vem tomando novos rumos. 

Completando 65 anos no mercado da construção civil e com uma veia empreendedora, a família Cabral decidiu que o sonho de Raimundo Araújo Cabral, teria que acompanhar as transformações do mundo moderno. 

A decisão veio com o olhar inovador da terceira geração. Cabral Neto decidiu que o universo digital era um novo caminho que a empresa deveria seguir. Projeto que desde 2017 começou a ser pensado e desenvolvido pelo time de Tecnologia da Informação (TI) e Marketing. 

Cabral Neto, diretor da Acal, reforça investimentos na área digital da empresa. (Foto: Divulgação)

E o sonho que começou em 1954, com a abertura de uma pequena loja de tintas ganha o mundo da internet, oferecendo por meio do e-commerce o universo de produtos da Acal Home Center, além de desenvolver um aplicativo de atendimento ao consumidor nas lojas, o Acal +.

Com esse novo sistema planejar e realizar uma obra vem se tornando uma tarefa fácil. Com o Acal+, a empresa coloca na palma da mão dos consultores o catálogo de produtos e o estoque de todas as lojas da rede, otimizando a elaboração de orçamentos para os clientes. No pensamento do rápido atendimento e na relação com o consumidor diante da rotina agitada das grandes cidades, o time de tecnologia da informação também desenvolveu o Canal Corporativo e a Central de Venda pelo Whatsapp. 

Chegar ao século XXI e se manter no mercado com empresas internacionais (os grandes players) para Cabral Neto é algo para se comemorar. O segredo do sucesso? Respeito com o cliente e as suas necessidades. 

Nesta nova fase de investimentos, a empresa reflete bem o sentimento de um mercado digital, antenado com a modernização nos processos de trabalho. Com esta visão a Acal decidiu investir na área de tecnologia, sendo a primeira empresa do Estado no ramo de reforma e construção a implementar o serviço de e-commerce. 

“Na TI temos um pensamento de startup, pegamos o MVP (Produto Minimamente Viável) e planejamos as ações. E hoje nós temos um aplicativo que agiliza esse atendimento, viabilizando o orçamento e enviamos da melhor forma para o nosso cliente (WhatsApp ou e-mail), além da opção impressa. Com a mudança do comportamento do consumidor. Nós vimos que como empresa temos que nos adequar a essa nova visão, de que todo mundo está conectado e tem acesso às ferramentas na palma da mão”, Cabral Neto.

Quem comemora os investimentos? O consumidor. Atenção que se reflete com o depoimento de quem é cliente da Acal há mais de 3 anos. Samara Neves, administradora de empresas e responsável pela área de infraestrutura de uma empresa no bairro Álvaro Weyne, destaca a importância de encontrar no mercado fortalezense a preocupação com o atendimento ao cliente.

Samara Neves entende que o ambiente digital complementa a compra em lojas físicas.
(Foto: Evilázio Bezerra)

Ao conversar com a administradora que realizava uma compra na loja física, ela reforça o diferencial de escolher a forma de atendimento. Antes da visita na loja, a cliente já tinha feito todo um caminho digital: consulta de preços na internet e o contato via Central de Atendimento da Acal. Samara Neves reconhece a praticidade das ferramentas digitais e da facilidade de diversos canais de atendimento, e como o serviço influencia nos processos de fechamento das compras.

“Essa facilidade é necessária. O tempo está super dimensionado para cada atividade e você tem que otimizar, correr, utilizar whatsapp e aplicativos para facilitar. Aqui tem um diferencial: em outras empresas temos que nos deslocar, e aqui já tem um consultor que me atende via whatsapp e me passa tudo que estou precisando e envia para a minha empresa”. Samara Alves

Esse movimento tecnológico retrata bem o século XXI, que chegou trazendo diversos desafios para o mercado econômico. A consolidação dos negócios ganha uma nova linha de trabalho, atrelando produção, logística e administração, como destaca o economista e professor, Francisco Alves. 

Com todo um cenário envolvendo a utilização de novas ferramentas de gestão surge a necessidade de investimentos em tecnologia da informação, o que para muitas empresas brasileiras representou uma barreira a ser vencida. A modernização das relações comerciais, seja com pessoas físicas ou jurídicas, ganha novos moldes de comunicação e o mercado clama por inovação.

O mercado começa a caminhar sob os conceitos da “Revolução Digital 4.0”, e numa conversa sobre quem entende das transformações das relações comerciais ficou evidente a pluralidade do mundo dos negócios e como as mudanças ocorrem num piscar de olhos.

Mas a rapidez das relações do mundo moderno também trazem à tona uma revolução que iniciou há muitos anos. Processos que, juntos, formaram as concepções aplicadas no mercado por várias empresas, com abordagens diferentes. 

Os novos conceitos do mercado mostram uma transformação do consumo, voltando o pensamento dos investimentos para a diversidade do público e como ele se comporta diante dos estímulos, evidenciando o poder de escolha do consumidor, e mostrando que a fidelização dos clientes retrata uma relação entre a Preocupação no atendimento X Satisfação gerada pelos produtos.

Marketing e o mercado

Nesta linha do tempo, como reforça o economista Francisco Alves, cada modelo de marketing vem se formando com base nos conceitos anteriores e focado no que cada empresa quer para o seu negócio. E neste momento de transformação das relações comerciais é importante ressaltar a necessidade de uma avaliação do mercado e o qual o seu potencial, reforçando a estratégia do Oceano Azul.

Nadar em águas calmas e com o espírito inovador traz um novo fôlego para o mercado. As mudanças são frutos do processo de evolução da sociedade e de como cada empreendedor conquista o seu espaço num “oceano de oportunidades”

um mercado de oportunidades

Começar um negócio próprio e com poucos recursos é uma equação que Iury Aldenhoff e a mãe Ionete Jesus conhecem bem de perto. Com a loja virtual (Instagram), a Negro Piche deu os seus primeiros passos, e logo depois ganhou espaço em um movimento que vem se tornando bem conhecido em nossa cidade, as feiras de economia criativa. E ao longo de dois anos de muito trabalho, a marca ganhou um endereço fixo e hoje ocupa uma das três lojas da Casa Azul na Praia de Iracema.

Criada no digital, a Negro Piche inaugurou espaço físico na Praia de Iracema. (Foto: André Lima)

Estar conectado com o mundo lá fora também é um conceito que muitos empreendedores vêm desenvolvendo para a efetivação de suas marcas e negócios no mercado. Com a pluralidade dos negócios e consumidores antenados nas tendências, a rapidez e o acesso fácil aos produtos de sua empresa podem ser um diferencial na consolidação da marca.

No caminho da era digital conhecemos a história da Negro Piche. A marca começou com um baixo investimento (5 camisas a um custo de R$ 100,00) e que já comemora dois anos no mercado fortalezense.

Com um estilo que retrata a ancestralidade do povo brasileiro, a Negro Piche se destaca no mercado de vestuário com a produção de artigos voltados para a cultura negra. Seguindo as tendências da moda, os empreendedores Iury Aldenhoff e Ionete Jesus apostaram em estampas personalizadas e despontam num cenário de valorização das raízes africanas. O que coloca a empresa do campo virtual no meio da relação economia e desenvolvimento social, movimentando um mercado antes informal e proporcionando uma “visão empreendedora” das oportunidades.

Ao falar do que representa o seu negócio, Iury Aldenhoff descreve um sentimento de vencer as barreiras, sejam elas sociais ou econômicas, e como isso pode se refletir no desenvolvimento da cidade e incentivar o empreendedorismo.

O sucesso do negócio de mãe e filho se revela quando conversamos com uma cliente fiel dos produtos da Negro Piche. Natalia Martins conheceu a marca pelo Instagram e conferiu os produtos nas feiras. Chegando lá, apaixonou-se pelo jeito simples dos empreendedores e empolgou-se pelo amor empregado em cada artigo produzido. E que as vendas representam o resultado de um trabalho comprometido com o indivíduo, numa mistura de empreendedorismo, respeito com o consumidor e as suas necessidades. “Com esse movimento, nós sentimos que eles sabem que eu compro porque há uma relação de carinho e de troca na Negro Piche.

Fundadores da marca, Yuri Aldenhoff e Ionete Jesus apostam no empreendedorismo da cultura negra. (Foto: André Lima)

A Negro Piche retrata um caminho que a tecnologia vem proporcionando a muitos negócios. Com um trajeto inverso do que é de costume, a loja virtual transportou-se para o mundo real e hoje vem participando do setor varejista.

Trajetória da Negro Piche

E essa representatividade no desenvolvimento da cidade é atestada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Município. Com o Programa Feira de Pequenos Negócios, além da cessão de espaços para eventos organizados pela sociedade, o poder público vem estimulando a geração de emprego e renda na cidade.

Segundo o coordenador de Empreendedorismo e Sustentabilidade de Negócios da SDE (Secretaria de Desenvolvimento Econômico), Valter Gomes, o incentivo à economia criativa já movimentou mais de R$ 5,5 milhões, e, em cinco anos de trabalho, a prefeitura já cadastrou 2.231 artesãos, realizando 1.507 feiras. “A SDE, no fomento à economia, desenvolve essas ações para auxiliar a expansão do empreendedorismo na cidade”.

Valter Gomes destaca o papel do poder público no incentivo aos microempreendedores.
(Foto: André Lima)

Mariana Marques, organizadora da AUÊ Feira, que acontece no segundo final de semana de cada mês na Praça das Flores, fala com entusiasmo sobre os resultados alcançados pela economia criativa e que empreender é um desafio que muitos vêm encarando como uma nova oportunidade no mercado dos negócios.

A AUÊ, que começou com 30 expositores e hoje conta com 150 empreendedores dos mais diversos segmentos, retrata bem um sentimento de coletividade em torno do empreendedorismo, e que cada setor complementa o outro num celeiro de oportunidades. “A feira ganhou outra dimensão e isso é importantíssimo para a economia criativa e um novo jeito de fazer e movimentar a cidade”, ressaltou Mariana Marques.

À frente da Auê Feira, Mariana Marques reúne empreendedores da economia criativa.
(Foto: Roger Pires/Divulgação)

E nesses pontos de encontro, muitos empreendedores têm a oportunidade de expor seus negócios e alcançar um público pouco explorado ou que muitos não tinham acesso. Com um ambiente totalmente favorável ao contato direto do consumidor com o produto e com a possibilidade de tornar a sua marca conhecida com um custo viável para quem está começando, as feiras se destacam no cenário da economia colaborativa, integrando o mercado varejista da cidade.

O CENTRO DO VAREJO

O cotidiano do mundo dos negócios nas grandes cidades conta com aliados para manter a economia sempre em alta, mesmo diante de cenários em que o desenvolvimento socioeconômico não seja favorável. Fortaleza não fica de fora desta realidade, tendo como um dos principais geradores de emprego e renda, o Centro. Reunindo mais de 7.800 empresas num único bairro, e responsável por 11% da arrecadação de impostos da cidade, o Centro pode ser classificado como um polo de movimentação varejista, além de concentrar diversos estabelecimentos de serviços.

Centro evidencia a vocação varejista da cidade. (Foto: Evilázio Bezerra)

Com uma movimentação diária de 350 mil pessoas, o Centro coloca em evidência as transformações do comércio, retratando bem a veia empreendedora de nosso povo, como destaca o diretor das Óticas Visão, Assis Cavalcante.

Um local vivo, plural, pioneiro, inovador e acima de tudo, economicamente sustentável. Em poucas palavras podemos afirmar que o Centro é o coração da economia de nossa cidade.

E essa transformação cotidiana do comércio e a renovação do perfil do consumidor cearense vem ganhando espaço nos debates nas universidades. Para o professor e especialista em Marketing, Christian Avesque, as mudanças no comportamento do consumidor vêm reforçar a pluralidade do mercado e que as relações comerciais devem ser analisadas sob a ótica do vínculo do consumidor com os lojistas e como cada empreendedor desenvolve uma relação de cumplicidade com os seus clientes.

“As empresas passam a focar nas inovações com ênfase no desenvolvimento e preservação dos hábitos culturais locais, bem como trazem às operações logísticas um termo bastante difundido atualmente: logística reversa. Aproximar a marca da comunidade rende frutos maduros, o consumidor passa a desenvolver um vínculo afetivo com a causa/proposta da marca”. 

O desejo de empreender reforça o sentimento de inovação tão presente no povo brasileiro e essa origem não ia fugir da veia nordestina e quem diria do jeito cearense de negociar os seus produtos e conquistar os clientes. Conhecido pela espontaneidade e pela facilidade de aproximar o consumidor da realidade do mercado, as novas tendências de um comércio on-line também impulsionam a personalização dos atendimentos nas lojas.

Atendimento esse que muitos clientes não abrem mão. Como é o caso do casal Débora Cavalcante e Deuswelington Xavier, que apesar de integrarem uma geração voltada para as novas tecnologias, não trocam o contato com o produto na loja pela compra virtual. Para eles, o contato com o produto e com os vendedores proporciona uma melhor experiência de compra, mesmo diante da praticidade da internet. “Gosto de ver a qualidade do produto e também ter a questão de experimentar”, apontou Débora.

A consumidora Debora Cavalcante opta pelo contato direto com o produto. (Foto: Evilázio Bezerra)

O comportamento mostra que o mercado, para se manter atrativo, deve priorizar as características de cada consumidor e que uma visão em massa pode prejudicar a consolidação das empresas. Visão empregada por uma loja de calçados em Fortaleza, em que a loja virtual complementa a loja física, e que vem tratando com um olhar diferenciado os consumidores dentro de cada universo da sociedade moderna.

E numa relação de cumplicidade on-line e off-line, o gerente de e-commerce da Sapataria Nova, Rodrigo Soares, e o gerente da loja física, Charles Pantoja, ressaltam a liberdade do consumidor na escolha da melhor forma de realizar uma compra atendendo a particularidade de cada cliente.

Gerentes de loja, Rodrigo Soares e Charles Pantoja lidam com o universo físico e digital na hora da venda. (Foto: Evilázio Bezerra)

“Esse movimento é uma tomada de decisão do nosso consumidor. Ele vê o produto na loja on-line e vem na loja física conferir o produto. E o brasileiro tem esse costume de conferir e experimentar. Como também ele experimenta na loja física e acaba finalizando a compra na loja virtual”, destaca Rodrigo Soares.

 

Atitudes que reforçam a parceria entre os diversos processos do comércio e as suas particularidades, sempre frisando o respeito e o compromisso com as necessidades da cada indivíduo.

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